Pesquisadores da Universidade de Tóquio descobriram que cristais microscópicos podem reagir de maneiras completamente diferentes ao mesmo estímulo químico, dependendo de seu tamanho. Ao expor cristais moleculares ao vapor de clorofórmio, a equipe observou transformações estruturais, recristalização e até dissolução parcial. Publicado em setembro de 2026, o estudo revela como as transições de fase em cristais podem mudar quando as dimensões dos materiais diminuem para poucos micrômetros.
Os cristais são sólidos cujas moléculas apresentam uma organização espacial ordenada. Em determinadas condições, essa organização pode mudar, produzindo uma transição de fase. Temperatura, pressão e interação com substâncias externas estão entre os fatores capazes de desencadear essas transformações.
Entretanto, o tamanho também pode influenciar o processo. Cristais menores apresentam maior proporção de superfície em relação ao volume, modificando a importância das interações com o ambiente. A nova pesquisa demonstrou que reduzir as dimensões pode alterar não apenas a velocidade de uma transformação, mas também seu mecanismo.
A equipe utilizou cristais moleculares de um complexo de rênio, um metal de transição. As amostras foram expostas ao vapor de clorofórmio, substância orgânica volátil cujas moléculas conseguem penetrar na estrutura cristalina e modificar sua organização.
Os experimentos combinaram diferentes procedimentos:
Preparação de cristais com dimensões variadas;
Exposição controlada ao vapor de clorofórmio;
Observação por microscopia confocal a laser;
Análise estrutural por difração de raios X;
Comparação dos comportamentos conforme o tamanho.
O vídeo institucional da Universidade de Tóquio apresenta os cristais flexíveis, conhecidos como soft crystals, investigados nessa linha de pesquisa.