Durante décadas, a pika-do-planalto foi combatida em partes do Planalto Qinghai-Tibetano por ser associada à degradação das pastagens e à competição com rebanhos. Um estudo publicado em 2026, porém, mostra um quadro mais complexo: em densidades moderadas, a pika-do-planalto pode melhorar a vegetação disponível aos iaques , reduzindo plantas pouco aproveitáveis e favorecendo gramíneas e ciperáceas mais nutritivas.
A pika-do-planalto ( Ochotona curzoniae ) é um pequeno lagomorfo escavador encontrado em áreas elevadas do Planalto Qinghai-Tibetano. Como consome vegetação e abre numerosas tocas, populações muito densas foram associadas à redução de forragem e a alterações na cobertura vegetal, o que motivou programas de controle em larga escala.
Esse histórico, entretanto, simplificou uma relação ecológica que depende da densidade dos animais e das condições da pastagem. Estudos anteriores já indicavam que as pikas também criam micro-habitats, fornecem abrigo para outras espécies e servem de presa para diversos predadores, funcionando como importantes modificadoras desses ecossistemas alpinos.
O estudo avaliou experimentalmente o que acontecia quando as pikas permaneciam ou eram removidas de áreas de pastagem. Um mecanismo importante envolveu plantas do gênero Stellera , que são evitadas pelos iaques e podem ocupar espaço que, de outra forma, seria usado por espécies forrageiras mais palatáveis.
As pikas cortavam essas plantas e reduziram aproximadamente pela metade sua cobertura. Com menor competição exercida por Stellera , gramíneas e ciperáceas aumentaram em abundância, e o teor de proteína bruta da forragem também cresceu. Assim, a presença moderada dos pequenos mamíferos alterou indiretamente a comida disponível aos grandes herbívoros.
Menor cobertura de Stellera ;
Mais gramíneas e ciperáceas palatáveis;
Maior teor de proteína na forragem;
Melhor eficiência de alimentação dos iaques.
Este vídeo mostra a pika vivendo nas condições extremas do planalto tibetano.