IBGE mostra baixa sindicalização em Goiás enquanto associação a cooperativas volta a crescer Ir Para o Conteúdo Buscar 23 de setembro de 2026 Início
Whatsapp Telegram Facebook X Goiás registrou um dos menores percentuais de sindicalização do país em 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Foto: Divulgação/IBGE. Goiás registrou um dos menores percentuais de sindicalização do país em 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Foto: Divulgação/IBGE. Nos siga no Goiás aparece entre os estados brasileiros com menor participação de trabalhadores em sindicatos, enquanto a associação a cooperativas de trabalho ou produção voltou a crescer. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e integram o levantamento sobre as características adicionais do mercado de trabalho em 2025.
No ano passado, 4,8% das pessoas de 14 anos ou mais ocupadas ou que anteriormente já haviam sido ocupadas em Goiás estavam associadas a sindicatos. O percentual colocou o estado na quinta menor posição do país, à frente apenas de Rio de Janeiro (4,6%), Amazonas (4,2%), Roraima (4,1%) e Amapá (3,8%).
A taxa goiana ficou 2,8 pontos percentuais abaixo da média nacional de 7,6%, evidenciando uma participação sindical menor no estado em comparação com o conjunto do país. Na outra ponta, Piauí apresentou o maior percentual de sindicalização, com 16,9%, seguido pelo Distrito Federal, com 14%, e Maranhão, com 12,8%.
O levantamento do IBGE mostra que a baixa participação sindical em Goiás não é um fenômeno recente. A série histórica indica uma redução significativa do indicador desde 2012. Naquele ano, 9% dos trabalhadores goianos estavam associados a sindicatos. O maior percentual registrado no estado ocorreu em 2014, quando chegou a 10,9%.
Depois disso, a taxa apresentou oscilações e permaneceu em patamar inferior ao observado no início da série. Em 2025, chegou a 4,8%, uma redução de 4,2 pontos percentuais em relação a 2012. No Brasil , o recuo também foi expressivo. A proporção passou de 13,6% em 2012 para 7,6% em 2025, queda de 6 pontos percentuais.
Entre 2023 e 2025, porém, Goiás apresentou uma pequena recuperação : a taxa passou de 4,5% para 4,8%.
Fonte: IBGE/PNAD Contínua — Características adicionais do mercado de trabalho 2025.
A diferença entre os estados é ampla. Enquanto Goiás registrou 4,8% de sindicalização, o Piauí chegou a 16,9%, percentual mais de três vezes superior ao observado no estado.
O Distrito Federal aparece em segundo lugar, com 14%, seguido pelo Maranhão, com 12,8%. Também ficaram acima da média nacional estados como Rio Grande do Sul (10,4%), Rio Grande do Norte (9,8%), Paraíba (8,8%), São Paulo (8,1%), Espírito Santo (7,9%) e Pará (7,9%).
Fonte: IBGE/PNAD Contínua — Características adicionais do mercado de trabalho 2025.
Enquanto a associação sindical permanece em um dos menores níveis do país, outro indicador relacionado à organização dos trabalhadores apresentou recuperação em Goiás.
Em 2025, 3,6% das pessoas de 14 anos ou mais ocupadas como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria estavam associadas a cooperativas de trabalho ou produção. O percentual representa alta de 0,8 ponto percentual em relação a 2024, quando era de 2,8%.
Em números absolutos, o avanço foi de 30 mil para 38 mil pessoas associadas a cooperativas em apenas um ano.
O resultado de 2025 fez Goiás retornar ao mesmo patamar registrado em 2022. No entanto, o estado ainda ficou abaixo da média brasileira, de 4,7%, e ocupou a 20ª posição entre as unidades da Federação, empatado com o Ceará.
Os maiores percentuais foram registrados no Rio Grande do Sul (8,7%), Santa Catarina (7,8%), Rondônia (6,9%) e Paraná (6,9%).
Fonte: IBGE/PNAD Contínua — Características adicionais do mercado de trabalho 2025.
O movimento chama atenção porque ocorreu em sentido diferente da trajetória de longo prazo observada no país. No Brasil, a proporção de empregadores e trabalhadores por conta própria associados a cooperativas caiu de 6,3% em 2012 para 4,7% em 2025.
Em Goiás, o indicador chegou a atingir 6,2% em 2014, maior percentual da série histórica. Depois, caiu e chegou a 3% em 2017 e novamente em 2019. A partir de 2022, voltou a oscilar em patamares mais elevados, chegando a 3,9% em 2023, recuando para 2,8% em 2024 e recuperando-se para 3,6% em 2025.
Fonte: IBGE/PNAD Contínua.
Outro dado ajuda a completar o retrato do mercado de trabalho goiano: o crescimento da formalização dos empreendimentos de trabalhadores por conta própria.
Em 2025, 34,5% dos trabalhadores por conta própria de Goiás atuavam em empreendimentos registrados no CNPJ. Foi o maior percentual da série histórica iniciada em 2012.
Naquele ano, a proporção era de 17,6%. Em 13 anos, portanto, houve aumento de 16,9 pontos percentuais. Ao mesmo tempo, a parcela de trabalhadores por conta própria sem CNPJ caiu de 82,4% para 65,5%.
O percentual goiano também ficou acima da média nacional, de 27,1%. No ranking das unidades da Federação, Goiás ocupou a sexta posição , atrás de Santa Catarina (41,4%), São Paulo (39,4%), Distrito Federal (36,8%), Rio Grande do Sul (36,6%) e Paraná (35,3%).
Fonte: IBGE/PNAD Contínua — Tabela 7235.
A PNAD Contínua estima que Goiás tinha 1,075 milhão de pessoas ocupadas na condição de empregador ou trabalhador por conta própria em 2025.
Desse total, 721 mil eram homens e 354 mil eram mulheres . Entre os empregadores, a formalização é ainda maior. 83,5% atuavam em empreendimentos registrados no CNPJ, acima da média nacional de 81,1%.
Em 2012, a proporção de empregadores goianos com CNPJ era de 73,3%. O avanço, portanto, foi de 10,2 pontos percentuais ao longo da série.
Fonte: IBGE/PNAD Contínua — Tabelas 7202 e 7235.
Os indicadores traçam um cenário com características diferentes entre as formas de organização dos trabalhadores.
De um lado, Goiás apresenta baixa associação sindical . Os 4,8% registrados em 2025 colocam o estado entre os cinco menores percentuais do país e abaixo da média brasileira de 7,6%.
De outro, houve recuperação na participação de empregadores e trabalhadores por conta própria associados a cooperativas. Embora o percentual de 3,6% ainda esteja abaixo da média nacional de 4,7%, o número absoluto de associados cresceu de 30 mil para 38 mil em um ano.
O avanço da formalização também aparece como um dos destaques. Entre os trabalhadores por conta própria, a proporção com CNPJ chegou a 34,5%, o maior nível da série histórica e superior ao resultado nacional.
Os dados, portanto, apontam para uma menor presença relativa da sindicalização em Goiás, ao mesmo tempo em que crescem a formalização de trabalhadores por conta própria e, mais recentemente, a associação a cooperativas de trabalho ou produção.
A PNAD Contínua também acompanha outros aspectos da organização do trabalho, como local de exercício da atividade, escolaridade e trabalho em turnos. O levantamento de 2025 mostra, por exemplo, que Goiás atingiu o maior percentual da série de ocupados com ensino superior completo, com 23,1%, embora ainda abaixo da média nacional de 24,9%.
A PNAD Contínua investiga informações estruturais sobre o mercado de trabalho, incluindo associação a sindicatos, registro de empreendimentos no CNPJ, adesão a cooperativas e local de exercício da atividade. Para os módulos temáticos, a série histórica disponível considera os anos de 2012 a 2019 e de 2022 a 2025, devido às dificuldades de coleta provocadas pela pandemia em 2020 e 2021.
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