Imagine estar no meio de uma campanha eleitoral e receber uma ameaça de morte. Ou ter recebido milhares de votos na urna, eleger-se e nada disso te proteger de ataques racistas nas redes sociais. Não são situações hipotéticas. Esse mês, no Espírito Santo, um artefato explosivo caseiro foi lançado contra integrantes da campanha da deputada federal Jack Rocha (PT-ES) durante um bandeiraço em Cachoeiro de Itapemirim. Duas mulheres da equipe ficaram feridas. Menos de 24 horas antes, materiais de campanha da candidata haviam sido arrancados em Vila Velha, em um episódio acompanhado de declarações misóginas. A deputada classificou os ataques como violência política de gênero, e os dois casos foram registrados na polícia.
Situações como essas, infelizmente, são comuns no noticiário político. O que talvez você não saiba é que, além de lidar com riscos físicos e com a carga psicológica da violência política, essa pessoa ainda precisará desbravar os meandros de como fazer uma denúncia e descobrir onde buscar proteção, a depender do tipo de ameaça sofrida. Para quem está na linha de frente, esse percurso acontece ao mesmo tempo em que a campanha exige dedicação integral, o mandato demanda articulações no plenário e a exposição pública não diminui.