A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou preocupação com o uso indevido das igrejas como palanque durante a campanha eleitoral . Na avaliação da cúpula da entidade, o Brasil passa por um momento delicado, tenso e desafiador nas três esferas do poder. Embora adote uma postura neutra em relação a candidatos, a instituição defende que o papel da igreja é incentivar o voto consciente.
Em conversa com jornalistas nesta quarta-feira (23/9), o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, afirmou que a igreja não pode ser omissa diante desse cenário político complexo, mas criticou o uso da religião como forma de autopromoção de candidatos.
“Nós, como igreja, não fazemos opção por partidos ou por uma política partidária. Nós fazemos parte, sim, da sociedade e, como cidadãos que somos, participamos, mas a igreja como instituição não tem esse tipo de envolvimento”, ressaltou. “Ao longo da história, quando política e religião tiveram muito envolvidas, o resultado não foi positivo. Então, esse uso da religião ou de igrejas para a autopromoção de candidatos ou ideologias não é salutar”, pontua o arcebispo.
O vice-presidente da entidade, Dom João Justino, considera “grave” que candidatos se apresentem como “escolhidos de Deus” em busca dos votos de religiosos.
“Quando se procura legitimar um candidato como se ele fosse um ‘escolhido de Deus’ — para usar uma linguagem bíblica, um ‘Messias’, as coisas se confundem completamente, e ferem até o processo eleitoral. Se ele que é o escolhido de Deus, para quê a gente que tem fé vai votar? Então, é até uma contradição dessa dinâmica, mas isso é muito grave porque muitas pessoas acabam acreditando que sim, aquela pessoa foi ungida por Deus”, avalia.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Os dirigentes da entidade também criticaram a “superficialidade” de alguns planos de governo de candidatos à Presidência, assim como a ausência dos líderes das pesquisas em debates. A CNBB também defende uma revisão dos privilégios concedidos a autoridades em todas as esferas de poder, incluindo no Judiciário.
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