Uma fina película de plástico PET foi colocada sob uma condição extrema: pesquisadores dispararam pulsos de laser de alta energia contra o material e provocaram pressões próximas de 100 gigapascals , capazes de reorganizar os átomos de carbono e formar cerca de 10 trilhões de nanodiamantes em um único disparo.
O resultado, porém, vai muito além da curiosidade de transformar plástico em diamante.
O experimento foi realizado por pesquisadores do Helmholtz-Zentrum Dresden-Rossendorf e da Universidade de Rostock , na Alemanha , utilizando uma película de PET com aproximadamente 100 micrômetros de espessura. O laser cria uma onda de choque extremamente intensa, comprimindo o material em uma fração de segundo.
A pressão chega perto de 100 GPa , aproximadamente um milhão de vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. Nesse ambiente extremo, parte do carbono presente no plástico se reorganiza e forma estruturas cristalinas de diamante.
A quantidade de partículas produzidas por disparo é gigantesca, embora cada uma seja microscópica. Os principais números registrados no experimento ajudam a dimensionar o fenômeno:
Cerca de 10 trilhões: nanodiamantes formados por pulso;
Aproximadamente 3 nanômetros: diâmetro médio de cada partícula;
Cerca de 3.000: átomos de carbono em cada nanodiamante;
Até 100 GPa: pressão provocada pela onda de choque;
Mais de 10 km/s: velocidade com que as partículas são expelidas.
Apesar dos trilhões de partículas, a massa produzida ainda é minúscula. Foram necessários cerca de 100 disparos para recuperar apenas algumas centenas de microgramas de material.
Produzir as partículas era apenas metade do problema. Depois do impacto, os nanodiamantes eram lançados a mais de 10 km/s, velocidade superior a 36 mil km/h, o que poderia destruí-los ao atingir uma superfície rígida.
Para solucionar a questão, os pesquisadores utilizaram um gel iônico macio , capaz de absorver parte do impacto. O material também pode ser removido posteriormente para permitir a recuperação e purificação das partículas.
O resultado permitiu confirmar diretamente as características dos nanodiamantes obtidos, incluindo seu tamanho extremamente reduzido e a distribuição relativamente uniforme das partículas.
O interesse científico não está apenas na possibilidade de transformar PET em partículas de diamante. Nanodiamantes já são estudados para diferentes aplicações, especialmente quando tamanho, pureza e propriedades específicas são importantes.
Entre as possibilidades investigadas estão: