A campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, apontou o publicitário Jeferson de Oliveira Monteiro, criador do perfil Dilma Bolada , como responsável pela 1ª publicação que deu início a uma ação coordenada para associar o senado à informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Eis a íntegra (PDF – 483 kB),
A notícia-crime apresentada à Procuradoria-Geral Eleitoral cita 29 perfis, entre eles @jeferson, perfil pessoal de Monteiro no X (antigo Twitter), e pede a abertura de inquérito para apurar eventual crime eleitoral. Jeferson publicou uma mensagem sobre o tema às 9h50 da 4ª feira (23.set.2026). Disse que católico não vota “ em nenhum Bolsonaro e nem em nenhum candidato que queira retirar o título de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira e Rainha do Brasil ”.
Flávio Bolsonaro jamais apresentou tal proposta. A ideia constou em um projeto de lei apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta trocava a expressão “ Padroeira do Brasil ” por “ Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos ”. Foi rejeitada pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara e posteriormente arquivada. Flávio, à época deputado estadual no Rio de Janeiro, não participou da apresentação nem da tramitação do texto no Congresso.
Segundo a notícia-crime, 6 minutos depois da 1ª publicação, o perfil @waglegal10 afirmou que, se eleito, Flávio sofreria uma “f orte cobrança ” de grupos evangélicos para retirar de Nossa Senhora Aparecida o posto oficial de padroeira.
Depois, o perfil @Danilod60131018 respondeu à publicação com uma imagem produzida por inteligência artificial que afirmava que Flávio estava articulando a retirada do título. Cinco minutos depois, a mesma conta publicou novamente a imagem, acompanhada da frase “se isso aqui for verdade, é estarrecedor. Católicos não permitam isso” . A defesa contabiliza 4 publicações feitas pelas contas @jeferson, @waglegal10 e @Danilod60131018 naquela noite e sustenta que o curto intervalo entre elas seria indicativo de uma ação estruturada, e não de uma disseminação espontânea.
Com exceção da conta de Jeferson, os outros perfis mencionados estão fora do ar. A captura de tela da última publicação do usuário @Danilod60131018 não foi incluída na notícia-crime.
Mencionado pela campanha do candidato do PL, Jeferson criou em 2010 a personagem Dilma Bolada , perfil satírico da então presidente Dilma Rousseff, que soma mais de 2 milhões de seguidores no Facebook, Instagram e X. Trabalhou com campanhas políticas, projetos culturais e produção de conteúdo digital e foi assessor de comunicação digital do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes. Em 2023, teve uma passagem pela EBC (Empresa Brasil de Comunicação), onde ocupou uma gerência ligada à produção e programação de conteúdo.
A circulação da informação falsa aumentou no dia seguinte. Ganhou ainda mais tração depois de a jornalista da GloboNews Maria Cristina Fernandes afirmar, na noite de 5ª feira (24.set), que “ tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira ”.
A informação foi corrigida pela GloboNews na madrugada do dia seguinte. A emissora pediu desculpas.
Jeferson Monteiro foi procurado pelo Poder360 via Instagram , mas não respondeu até a data de publicação desta reportagem. Contudo, o comunicador se pronunciou nas redes sociais sobre o tema. Disse que não havia mentira na mensagem que publicou e afirmou não ter sido procurado por reportagem do Jornal O Estado de S.Paulo sobre mesmo assunto.
Além da postagem mencionada pela campanha de Flávio, Jeferson associou o candidato à proposta falsa em duas outras ocasiões. Na madrugada do dia 24, escreveu que “ no berço do bolsonarismo ” traficantes evangélicos mandam fechar igrejas católicas. E completou: “ Nenhum Bolsonaro se manifestou ”, citando notícia em que o líder do TCP (Terceiro Comando Puro) fecha igrejas no Complexo de Israel, comunidade do Rio de Janeiro.
No dia seguinte, disse que Flávio mentia ao negar a proposta:
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino reverteu neste domingo (27.set) uma decisão de André Mendonça que havia determinado a suspensão de uma publicação específica do humorista Antônio Tabet. O post dizia que uma “ família miliciana ” teria resolvido atacar Nossa Senhora Aparecida, mas não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro. Dino afirmou que não havia, naquele estágio do processo, grau suficiente de certeza sobre a ilicitude para justificar uma restrição à liberdade de expressão.
A decisão de Dino não declarou verdadeira a informação de que Flávio pretenda retirar o título de padroeira. Ela analisou a situação específica da publicação de Tabet e os limites da ordem de remoção.
Mendonça havia determinado anteriormente que X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube retirassem conteúdos que afirmassem que Flávio ou integrantes de sua família propuseram, apoiaram ou pretendiam promover a mudança, classificação considerada pelo ministro do TSE como “ notoriamente inverídica ”.
As publicações de Jeferson estavam no ar às 16h deste domingo (27.set).