A segurança das urnas eletrônicas brasileiras nunca foi um debate estritamente técnico. Trata-se, antes, de uma disputa de percepção pública e de confiança institucional. Após o pleito de 2022, marcado por ataques sistemáticos ao processo de votação, a Justiça Eleitoral enfrentou o desafio de redesenhar sua relação de transparência com a sociedade civil.
A resposta veio na forma de um conjunto de 14 resoluções que disciplinarão as Eleições Gerais, elaboradas sob relatoria do ministro Kassio Nunes Marques e aprovadas após audiências públicas que receberam número recorde de contribuições da sociedade civil. Em 12 de maio de 2026, Nunes Marques assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral sob uma premissa declarada: "a Justiça Eleitoral não pecará pelo excesso, tampouco pela inação".
Uma postura deliberadamente procedimental, e é justamente aí que mora a ambiguidade que este texto procura examinar.