O vídeo começa com o personagem que representa o ministro Flávio Dino ligando para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dizendo que “vazou tudo aqui” .
O petista envia o telefone de uma pessoa que, segundo ele, resolve “vazamentos” . O contato é de Alexandre de Moraes.
A conversa entre os personagens ironiza o uso inadequado, segundo a reportagem de Luís Pablo, de carros oficiais do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) por Dino e seus familiares.
A jornalista Malu Gaspar também foi mencionada no vídeo. Os personagens satirizam uma fala dela na GloboNews , em que defendeu a liberdade de expressão jornalística e a importância do sigilo das fontes.
O personagem de Zema também aparece nas imagens. É chamado de “mineirinho” . Ele envia a Dino imagens do ministro na praia utilizando um carro oficial.
Por fim, o . Na sátira, o presidente Lula usa a plataforma.
O narrador da publicação afirma que o aplicativo oferece favores judiciais e promete manter os casos sob 100 anos de sigilo.
“Os Intocáveis” é uma série de vídeos produzida por Zema com inteligência artificial. O candidato usa as publicações para criticar ministros do STF e políticos citados nas investigações sobre o Banco Master.
Em episódios anteriores, o ex-governador satirizou os ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. As gravações também fizeram referência a voos em jatinhos, ao Fórum de Lisboa e a episódios relacionados ao Banco Master.
O ministro pediu que o ex-governador fosse incluído no inquérito das fake news sob o argumento de que os vídeos usam conteúdo falso produzido por IA para atingir a honra de integrantes da Corte.
A Procuradoria Geral da República denunciou Zema por calúnia contra Gilmar em maio.
Moraes autorizou, em 11 de agosto, uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo , responsável por reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.
A investigação começou depois de Luís Pablo publicar, em novembro de 2025, reportagens sobre o uso de veículos do TJ-MA por Dino e familiares.
Em março de 2026, o jornalista foi alvo de uma operação da PF. Celulares, notebook e outros equipamentos foram apreendidos.
De acordo com a corporação, a análise do material permitiu identificar Cutrim como uma das pessoas que teria fornecido informações ao jornalista.
A Polícia Federal afirma que Cutrim teria usado o cargo público para obter os dados em sistemas de acesso restrito. A corporação pediu novas buscas a partir dessas informações.
Segundo Moraes, a reportagem teria divulgado informações sigilosas de agentes de segurança, placas de veículos e dados relacionados à proteção do ministro.
A repercussão do caso levou entidades como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão) e a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) a se posicionarem contra as decisões tomadas no processo.
“ A atividade jornalística, independentemente do veículo e de sua linha editorial, conta com a proteção constitucional do sigilo da fonte.
Qualquer medida que eventualmente viole tal garantia deve ser entendida como um ataque ao livre exercício do jornalismo. […] As entidades subscritas esperam a revisão da medida, que viola o preceito constitucional do sigilo da fonte e a própria liberdade de imprensa”, divulgaram em nota.
Ao Poder360 , a defesa de Raimundo Cutrim afirmou que não teve acesso integral à representação da Polícia Federal.
“A defesa de Raimundo Soares Cutrim vem a público prestar esclarecimentos acerca dos 2 processos que atualmente tramitam em seu desfavor perante o Supremo Tribunal Federal, um sob relatoria do Ministro Flávio Dino e outro sob relatoria do Ministro Alexandre de Moraes.
“No processo de relatoria do Ministro Flávio Dino, a defesa reitera que, até o presente momento, mesmo após o cumprimento do mandado de prisão, que se deu em 18 de julho, não teve sequer acesso aos autos, desconhecendo por completo os fatos que estariam sendo imputados a Raimundo Cutrim, e os fundamentos que embasaram as medidas já adotadas.
“Causa espanto à defesa constatar que veículos de imprensa pareçam deter mais informação sobre o conteúdo da investigação do que os próprios advogados regularmente constituídos pelo investigado, situação que, a rigor, inverte a lógica mais elementar do sigilo processual, que existe para proteger a investigação e terceiros, e jamais para excluir a defesa técnica do conhecimento do que se apura contra seu cliente.
“Já o mandado de busca e apreensão mais recente, expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, tem por origem investigação sobre suposto crime de perseguição (art. 147- A do Código Penal), em que Raimundo Cutrim é apontado pela Polícia Federal como fonte jornalística de um investigado.
Nesse ponto, impõe-se registrar que trata-se de investigação na qual figura como suposta vítima o próprio Ministro Flávio Dino, relator do outro processo em que Raimundo Cutrim responde como investigado.
Há, portanto, quadro que evidencia hipótese de clara suspeição superveniente, na medida em que os fatos apurados no mandado mais recente dizem respeito diretamente à pessoa do relator do primeiro feito.
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Fonte: Poder360 Atualizado em 19/08/2026 |
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