O Corinthians tem uma das maiores torcidas do Brasil: são milhões de camisas espalhadas por escolas, quadras e quartos de criança. Mas, recentemente, um dos uniformes mais amados do país começou a estampar a marca de uma plataforma de conteúdo adulto, a Fatal Fans. A reação foi imediata. E, entre as questões apresentadas, há uma que merece nossa atenção: é melhor regular ou taxar empresas como a Fatal?
Tal pergunta precisa ser levada a sério, sem likes, lacrações e cortes que atualmente têm atropelado a discussão de políticas públicas. Por isso, defendemos tributação pesada sobre tudo o que impõe custos altos à sociedade: cigarros, bebidas açucaradas, apostas. Mas a taxação nem sempre é suficiente quando estamos nos referindo a produtos tão nocivos. Se o dano é grande demais, é preciso também tirar a propaganda de cena.
Foi o que o Brasil fez com o cigarro. A publicidade foi progressivamente restringida até a proibição quase total, em 2011, sem que o país abrisse mão da tributação pesada. Não escolhemos entre regular e taxar: fizemos os dois. A proporção de fumantes despencou de um em cada três adultos para cerca de um em cada dez, e o Brasil virou referência mundial no controle do tabaco.
É o que estamos brigando para fazer agora com as apostas. No Brasil Contra Bets, lutamos para restringir a publicidade das bets, hoje onipresentes no futebol, e tributá-las à altura do estrago que causam nas famílias brasileiras.
E é o que propomos para o conteúdo adulto. Apresentamos projetos de lei, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo, para impedir que plataformas do setor façam publicidade em espaços públicos, inclusive patrocinando times, eventos e instituições que alcançam crianças e adolescentes.