
Sadi: Reciprocidade é instrumento de negociação Integrantes do governo ouvidos pelo blog dizem que o acionamento da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos deve ser entendido, neste momento, como um instrumento de negociação, e não como a aplicação imediata de medidas de retaliação ao tarifaço. A iniciativa representa uma resposta dura e um posicionamento político do Brasil, mas abre um processo que ainda levará tempo antes da eventual adoção de contramedidas.
O objetivo, segundo fontes do governo, é dar uma “cutucada” nos Estados Unidos para tentar levar Washington de volta a uma negociação baseada em critérios técnicos e comerciais. Na avaliação do governo brasileiro, as tarifas impostas pelos americanos foram uma decisão essencialmente política.
A leitura é que a atuação dos Estados Unidos em relação ao Brasil entrou em “modo eleição” e passou a considerar a disputa presidencial brasileira como parte de um movimento mais amplo pelo comando político da América Latina. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026 REUTERS/Elizabeth Frantz Com o processo aberto, a Secretaria-Executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex) terá até 30 dias, prorrogáveis pelo mesmo período, para elaborar um relatório sobre o enquadramento das medidas americanas nas hipóteses previstas pela Lei da Reciprocidade.
Só depois disso poderá haver avanço na discussão sobre eventuais contramedidas. O rito está previsto na regulamentação da lei.
Durante esse período, o Itamaraty notificará os Estados Unidos e manterá abertas as consultas diplomáticas. Para integrantes do governo, esse intervalo pode ajudar a reconstruir algum canal de negociação.
A avaliação no Palácio do Planalto, porém, é que a crise entrou em uma nova fase. Em um primeiro momento, a interlocução direta entre os presidentes Lula e Donald Trump teria ajudado a reduzir o tom de integrantes do governo americano.
Agora, integrantes do governo brasileiro consideram que mesmo uma nova conversa no nível presidencial pode não ser suficiente para mudar o rumo da disputa. A percepção é que o Departamento de Estado passou a comandar o processo e que o secretário de Estado, Marco Rubio, tornou-se o personagem central na condução da política americana para o Brasil.
O entendimento é que os Estados Unidos estão de olho na disputa pelo controle político da América Latina, e que o Brasil ocupa uma posição estratégica nesse cenário. Nos bastidores, integrantes do governo afirmam que o Brasil não buscou uma guerra comercial e continua disposto a negociar.
Ao mesmo tempo, defendem que o país precisa se posicionar. A avaliação é que países que cederam imediatamente às pressões americanas acabaram prejudicados.
A síntese feita por integrantes do governo é: o Brasil não está atacando, está se defendendo, e “não vai se curvar”.
Fonte: G1