
Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Victor Piemonte/STF/Reprodução O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, evita se posicionar em temas que dividem o plenário da Corte.
Mas a operação da Polícia Federal que apreendeu celulares, computadores e documentos de uma possível fonte de reportagens sobre o ministro Flávio Dino, mudou isso. O ministro Alexandre de Moraes autorizou a operação a pedido da PF.
Um dos alvos foi Raimundo Cutrim, que já ocupou a Secretaria de Segurança Pública e a Secretaria de Assuntos Legislativos do Maranhão. 📱Favorite o no Google e acompanhe as principais notícias do dia Segundo a PF, Raimundo Cutrim seria a fonte do jornalista Luís Pablo, acusado de perseguir o ministro Flávio Dino.
A polícia chegou até o nome de Raimundo depois de apreender, em março de 2026, dois celulares, um notebook e um pendrive do jornalista. Na abertura da sessão dessa quinta-feira (13), o presidente da Corte disse que ameaças a ministros e familiares devem ser apuradas com rigor, em apoio a Dino, alvo de investigação sobre ameaças que corre no tribunal.
A ordem para apurar quem vazou informações ao jornalista Luiz Pablo partiu de decisão monocrática de Moraes. Ministros fora do grupo de Moraes e Dino questionaram internamente se a decisão deveria ter sido individual, e se o jornalista, sem foro por prerrogativa de função, justificava o debate dentro do STF.
Também não está definido se o jornalista participou do monitoramento a Dino ou apenas recebeu e divulgou informações de terceiros. A diferença determina se a conduta é crime ou exercício da atividade de imprensa.
O episódio reabre uma divisão que já aparecia nas discussões sobre o código de conduta da Corte e no caso Master: de um lado, Moraes, Dino e Gilmar Mendes; de outro, Fachin e Cármen Lúcia. A fala de Fachin busca equilibrar o apoio a Dino, a defesa da liberdade de imprensa e a promessa de que o colegiado vai decidir o caso.
Cármen Lúcia repetiu o argumento de que a proteção à imprensa não se confunde com crime. Moraes, como relator, disse haver provas de crime e indícios de autoria, e separou jornalismo investigativo de jornalistas investigados por crime.
Fachin disse que recursos sobre o caso ficam com a Primeira Turma, não com decisão individual. Mas isso não resolve o problema de fundo: o STF terá que decidir se apurar crimes contra ministros pode conviver com a proteção ao sigilo de fonte, ou se o caso já criou um precedente difícil de conter.
Fonte: G1