Deepfakes: a ameaça que já chegou às eleições de 2026

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📷 Foto: Congresso em Foco

Durante muito tempo, uma imagem serviu como prova. Um áudio era entendido como registro de uma fala. Um vídeo parecia oferecer a confirmação definitiva de que determinada pessoa esteve em algum lugar, disse alguma coisa ou praticou determinado ato. A inteligência artificial está abalando essa certeza. E, em uma eleição disputada em grande medida nas telas dos celulares, essa mudança representa um dos maiores desafios para a democracia.

As deepfakes permitem reproduzir rostos, vozes e movimentos com um grau de realismo cada vez maior. O problema eleitoral não está apenas na possibilidade de fabricar uma mentira. Está na velocidade com que essa mentira pode circular e atingir milhões de pessoas antes que jornalistas, plataformas digitais, campanhas ou a própria Justiça Eleitoral consigam desmenti-la.

A quarta rodada da pesquisa nacional Indexa/Broadcast, divulgada em 26 de agosto, mostra um dado que merece atenção. Nada menos que 72% dos brasileiros se consideram capazes, em algum grau, de identificar quando uma foto, um áudio ou um vídeo de um candidato foi criado ou alterado por inteligência artificial. São 39% que se dizem totalmente capazes e 33% que se consideram mais capazes que incapazes.

Essa confiança, porém, varia significativamente conforme a idade. Entre os brasileiros de 35 a 44 anos, 81% acreditam ser capazes de reconhecer uma deepfake. O percentual é de 79% entre aqueles de 25 a 34 anos e de 77% entre os jovens de 16 a 24 anos. Depois cai para 69% entre os eleitores de 45 a 59 anos e chega a apenas 53% entre aqueles com 60 anos ou mais.

A escolaridade também faz diferença. Entre os brasileiros com ensino superior, 82% acreditam conseguir reconhecer conteúdos criados ou alterados por IA. Entre aqueles com ensino médio, são 69%, e entre os que estudaram até o ensino fundamental, 67%.

Esses números revelam uma desigualdade importante na percepção de preparo para enfrentar a nova desinformação. Mas apresentam também uma questão ainda mais delicada: considerar-se capaz de identificar uma deepfake não significa necessariamente ser capaz de identificá-la.

A tecnologia avança em ritmo extraordinário. Erros de sincronização entre voz e boca, movimentos artificiais, imagens pouco naturais e outras pistas que até recentemente denunciavam uma manipulação estão desaparecendo. O conteúdo falso de amanhã provavelmente será mais difícil de reconhecer do que o conteúdo falso de hoje.

E não estamos falando de uma ameaça futura. A inteligência artificial já entrou na campanha presidencial de 2026. Na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro, em julho, foi exibido um vídeo produzido por IA que simulava imagem e voz de Jair Bolsonaro. O episódio acabou provocando uma discussão jurídica sobre os limites da utilização da tecnologia na campanha.

O Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu regras específicas para este ano. Conteúdos produzidos ou significativamente modificados por inteligência artificial precisam ser identificados de maneira explícita, destacada e acessível. Deepfakes destinadas a favorecer ou prejudicar candidaturas são proibidas. A regulamentação também estabelece restrições adicionais nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação.

A preocupação institucional mostra a dimensão do problema. Neste mês, o TSE anunciou acordos para combater tanto deepfakes de voz quanto conteúdos sintéticos que reproduzam indevidamente a imagem de candidatos. No Congresso, o assunto também está em debate. Há propostas para criminalizar a produção e a divulgação de deepfakes destinadas a interferir no processo eleitoral, e audiências públicas já discutiram as dificuldades técnicas das próprias plataformas para fiscalizar esse universo.

Fonte: Congresso em Foco
Atualizado em 27/08/2026
🕒 04:21 pm
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📅 23 DE AGOSTO DE 2026 ⏰ 05:32

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Escrito por Alves Bueno
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